Daodejing:
o Livro do Caminho e da Virtude
O Dao De Jing é um texto clássico da cultura chinesa. Foi escrito entre os séculos VI e V a.C. por Laozi, sábio chinês nascido na província de Henan, localizada na região central da China.
Para compreendermos a obra, olhamos para o significado de seus ideogramas:
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- Dao significa Caminho ou Via.
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- De significa as Virtudes expressas nas potencialidades que se manifestam ao seguir o Caminho.
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- Jing significa livro clássico.
A obra contém 81 capítulos curtos e concisos. Segundo a tradição, ela se divide em duas partes:
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- A primeira parte é o Livro do Dao, que vai do capítulo 1 ao 37.
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- A segunda parte é o Livro do De, que vai do capítulo 38 ao 81.
O Dao De Jing é a obra mais lida e interpretada tanto na China como fora dela. Pode-se dizer que a sua doutrina está nos fundamentos do pensamento chinês, servindo de base para diversas linhas filosóficas.
A Leitura Através do Corpo
A minha leitura do Dao De Jing tem foco na integração de sua sabedoria com a práxis das artes corporais chinesas. Essa integração é fundamental para que tais artes realizem a sua função de desenvolver harmoniosamente os seus praticantes.
A obra de Laozi nos fala da dimensão do interno. Todas as referências de espaço, tempo e seres são internas; não há referências do externo. E é isso que as práticas buscam resgatar: o conhecimento e o contato direto com o interno.
Sobre Laozi: O Autor do Dao De Jing
Pouco sabemos a respeito de Laozi. Seu nome não está ligado a realizações históricas ou religiosas. Não foi um guia espiritual com inúmeros seguidores, nem fez parte da nobreza de sua época. Foi um homem comum que viveu, contemplou a vida e se retirou.
Seu nome teria ficado no anonimato não fosse o pedido de um oficial de alfândega que o reteve quando, segundo a tradição, estava a ponto de cruzar a muralha em direção ao deserto do oeste da China. Esse guarda, chamado Yin Xi, pediu para que Laozi registrasse seus conhecimentos antes que deixasse o país montado em seu búfalo.
Os cinco mil ideogramas que escreveu resultaram no livro do Dao (Caminho) e do De (Virtude). Na China, essa obra é considerada um clássico que expressa o que há de mais essencial no espírito do povo chinês.
A História e a Lenda
A tradição oral e uma biografia de Laozi escrita pelo famoso historiador chinês Sima Quian (135 a.C.-86 a.C.) na obra Registros históricos (Shi Ji) [1] nos dão algumas informações sobre a sua enigmática pessoa.
Laozi teria nascido aproximadamente em 570 a.C. onde hoje fica o Condado de Luyi, na província de Henan, durante o final da dinastia Primavera Outono (770 a.C.-476 a.C.).
Seu sobrenome de família era Li, que quer dizer ameixeira. Recebeu o nome Er (orelha) devido às orelhas muito compridas que possuía, o que para os chineses é sinal de longevidade e sabedoria. O nome pelo qual o conhecemos, Laozi, quer dizer ancião (lao) e criança (zi), ou seja “a velha criança”. A lenda diz que ele nasceu já com cabelos brancos, de uma longa gestação de dezenas de anos.
Ele trabalhava como arquivista na biblioteca imperial da corte dos Zhou do Leste (770 a.C.-256 a.C.) [2]. Segundo a tradição, Confúcio, seu contemporâneo, frequentava essa biblioteca para estudar os livros clássicos. O oficial Yin Xi, que interpelou Laozi na fronteira, também o teria conhecido dessa maneira.
Observando os sinais de decadência do império dos Zhou e prevendo as guerras que originaram o período dos Reinos Combatentes (403 a.C.-256 a.C.), Laozi deixou essa função para se retirar em direção ao oeste, para o deserto. Ele partiu e ninguém mais o viu.
Conclusão
Não deixou pegadas, como ele mesmo disse no capítulo 27 do Dao De Jing:
“A marcha da bondade não deixa pegadas”.
Ele é da estirpe dos grandes guerreiros da história chinesa que em sua caminhada não deixaram rastros, apenas notícias de seus feitos. Não chama a atenção sobre si, mas nos incita a desbravarmos com os nossos próprios passos a senda do guerreiro.