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Dao De Jing - Capítulo 24

Aquele que se sustenta nas pontas dos pés não fica estável
Aquele que avança a passos largos não vai longe
Aquele que se exibe não brilha
Aquele que é cheio de si não é respeitado
Aquele que se vangloria não tem o mérito
Aquele que é arrogante não evolui

No Dao estas coisas
são supérfluas como sobras de comida,
que as pessoas desprezam.
Por isso os que seguem o Dao
Não agem assim.

Com o Coração nos Pés 

Ficar na “ponta do pé” é uma metáfora para descrever aquelas pessoas que não colocam o “pé no chão”. Ficar na ponta do pé dá a ideia de suspensão e colocar o pé no chão dá ideia de enraizamento.

Os pés são integrados a todo corpo através do fluxo do sopro vital (qi) que corre por caminhos chamados de Meridianos. Três meridianos yang relativos às Vísceras do Estômago, Bexiga e Vesícula se  iniciam na face, correm ao longo do corpo e terminam no 2°, 4° e 5° artelhos dos pés respectivamente. 

Três meridianos yin pertencentes ao Órgão do Baço (medial do artelho grande), Rim (sola do pé) e Fígado (lateral do artelho grande) correm pelo aspecto medial dos membros inferiores e penetram no tórax para se unir com os respectivos campos energéticos dos Órgãos aos quais pertencem.

Portanto os campos dos Órgãos e Vísceras ligados aos pés necessitam da estabilidade e potência da Terra para realizar bem a sua função. Estando na “ponta dos pés”, não há contato dos pés com a potência da Terra e isto prejudica não só o equilíbrio do corpo físico como também a função dos campos energéticos dos Órgãos e Vísceras correspondentes.

Na natureza, a ascensão da potência da Terra depende do descenso da emanação celeste, se o Céu não desce a Terra não sobe. Acontece da mesma forma no interior de nosso corpo: a emanação celeste deve descender através do campo do Coração para se conectar-se com os pés enraizando-os.

A metáfora “a passos largos não se avança”, está relacionado com um Coração abarrotado e ansioso que faz com que os passos sejam mais largos do que as pernas podem dar.

É como uma carruagem cujo coche é puxado por um cavalo que corre disparado, galopando sem o devido controle do cocheiro. O cavalo representa as emoções. O cocheiro ausente representa o Coração (mente) que embriagado com as coisas mundanas não consegue controlar o cavalo. O coche é o nosso corpo físico que sofre as consequências e pode se desmantelar.

Os excessos nas atitudes e ações humanas são como as sobras de comida desprezadas e desperdiçadas, que resultam em  desvios no Caminho (Dao).