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Dao De Jing - Capítulo 20

Renuncie ao estudo,
e não existirão mais preocupações.

Qual é a distância entre o concordar e o reprovar?
Qual é a distinção entre o bonito e o feio?
Aquilo que as pessoas temem, poderia não se temer?

Vasto, indiferenciado e sem limite!
A multidão eufórica se agita com prazer,
como em uma festa na prisão.
Ou como se subissem as montanhas para festejar na primavera.

Eu sozinho, permaneço quieto sem festejar.
Como bebê que ainda não sabe como sorrir,
desamparado, sem ter para onde ir.
Todos parecem ter em abundância.
Eu nada possuo.
Sou uma pessoa com coração ingênuo.
Todos vivem lúcidos.
Eu, solitário, pareço confuso.
Todos são espertos e tem opinião própria.
Eu, solitário, sou ignorante sem opinião.
Plácido como a vastidão do mar.
Fluindo como o vento que sopra sem cessar.
Todos os homens fazem-se úteis.
Eu, solitário, sou tosco e sem utilidade.
Sou diferente.
Valorizo o alimento da Mãe.

Alimentar-se da Mãe

Os chineses não são adeptos ao acúmulo de conhecimento. Para eles o conhecimento só tem sentido se estiver orientando uma ação e se tem relação com a vida e o movimento. O excesso de conhecimento se torna uma carga para a mente e só atrapalha as decisões a serem tomadas na vida. Por exemplo, os médicos tradicionais chineses utilizam a teoria da MTC como uma referência, mais importante do que a teoria, é saber aplicá-la através de um pensamento vivo que se põe à escuta e se desenvolve conforme a rede de relações que se apresenta no momento.

Essa escuta, que leva ao pensamento justo, depende de um Coração vazio, sem preconceitos e medos. Esta não é uma habilidade acadêmica que se aprende estudando na escola, mas se aprende com a vivência e observação constante de nossa natureza humana. As potencialidades da natureza humana, não são encontradas na superfície, e sim na profundidade de nosso ser.

A medicina tradicional chinesa se refere ao alimento da Mãe como a essência pré-natal concedida ao vivente no momento da concepção pelos pais e pelo Céu, a Terra e todo universo. Esta essência encontra-se depositado na profundidade do nosso corpo, na região do baixo ventre. Na alquimia chinesa essa região, é chamada de Campo de Cinábrio (Dantian).  Um cordão umbilical invisível conectado à essa região e atado à Mãe, faz com que a essência pré-natal alimente, continuamente, o nosso corpo, alma e espírito.

Para buscar esse tesouro nas profundezas do ser e alimentar-se da Mãe, é preciso renunciar ao excesso de prazeres e gozos mundanos. Ao renunciar conscientemente aos divertimentos e prazeres externos acontece a verdadeira felicidade de um encontro com o seu mundo interno, como se fosse um bebê que não precisa ir à lugar nenhum pois já está acolhido no ventre da Mãe.

As pessoas querem ser úteis, buscam a fama e o reconhecimento fora de si mesmos, tem medo de ser diferente, de não ser aceito pelos outros. Mas o verdadeiro reconhecimento está na nossa origem, na profundidade de nosso ser. A busca interna é realizada quando estamos sozinhos e quando não temos utilidade no mundo externo.