O grande Dao permeia a tudo, está à esquerda e à direita.
Todos os seres dependem dele para viver e ele não os abandona.
Ele realiza a sua missão em silencio, não faz alarde.
Veste e alimenta as dez mil coisas, mas não se considera o seu senhor.
Sem desejos, pode ser renomado, mas se considera pequeno.
As dez mil coisas lhe pertencem, mas ele não as submete.
Reconhecido como grande, não se considera grande.
E por isso pode realizar sua grandeza.
Em uma história zen, um peixinho perguntava o que é o mar a um peixe mais velho. “É tudo o que nos cerca”, respondia o mais velho. O peixinho embora estivesse imerso naquela imensidão azul, não conseguia enxergar o mar, “porque não posso vê-lo?”, perguntava o peixinho.
A história continua com a imagem de uma criança que fazia perguntas a um ancião. Mas em vez do mar, ela queria saber a respeito do Dao: “o que é o Dao?”. O ancião então respondia: “É tudo o que nos cerca”. E a mesma dúvida aparecia na criança: “porque não posso vê-lo”?
O sopro vital envolve os seres assim como o mar envolve os peixes. Qi é o sopro de vida que flui conectando e interrelacionando a miríade de coisas internamente e externamente. O qi une os opostos à direita e à esquerda e liga acima e abaixo. O Dao (Caminho) pode ser pequeno e estreito na sua forma, porém é grandioso e inesgotável em suas possibilidades. O nosso corpo de qi pode ser invisível, imperceptível e facilmente esquecido, mas não nos abandona, pois, nossa vida depende dele.