Renuncie à santidade.
Deixe de lado a sabedoria.
E todos serão cem vezes mais beneficiados.
Renuncie à benevolência.
Deixe de lado a justiça humana.
E as pessoas voltarão a ter respeito e amor aos que vieram antes.
Renuncie à sua engenhosidade.
Deixe de lado a ganância.
E ladrões e assaltantes deixarão de existir.
Para realizar essas três coisas, palavras e cultura não são suficientes.
Portanto retorne ao que é confiável e durável:
ser autêntico, abraçar o simples, diminuir o egoísmo e os desejos.
O tempo passou e hoje o mundo está bem diferente. Vivemos uma globalização devido à revolução da tecnologia. É nesse momento que a inocência e espontaneidade retornam e serão bem-vindos.
Laozi neste capítulo nos convida a pôr de lado as regras das culturas estabelecidas, que geram tantos conflitos entre si, e refletir sobre os valores que tratam da essência do ser humano. Ou seja, uma cultura sem cultura, universal, ampla e libertadora que resgate a inocência e a simplicidade.
Na práxis da vida diária, cultivar o retorno à simplicidade. É um processo que demanda atenção e discernimento. Largar a bagagem e as coisas acumuladas no nível material, emocional e mental e que não servem mais e ficar com a essência do que foi vivido. Como Buda disse: você adquire ou constrói um barco para atravessar o rio para a outra margem; depois de chegar à outra margem, não precisa mais carregar o barco para seguir em frente.
É nesse momento que a inocência e espontaneidade retornam e serão bem-vindos.