Quando se esquece do Caminho (Dao),
aparece os que pregam o senso do humano (Ren) e a ordem moral.
Quando surge a inteligência,
aparece a hipocrisia.
Quando as seis relações familiares não estão em harmonia,
aparece a piedade filial e o amor paternal.
Em um país caótico e em desordem,
aparecem os ministros leais.
Neste capítulo Laozi menciona de forma explícita os principais valores que Confúcio prega: as virtudes humanas (ren), a sinceridade, a piedade filial (xiao) e a lealdade. Não é uma crítica ao pensamento de Confúcio, visto assim por muitos estudiosos, mas sim como uma constatação de que esse pensamento inspira a práxis necessária para resgatar qualidades que são naturais ao ser humano.
Confúcio, em sua obra Daxue (Grande Estudo) diz que a harmonia de todo o Universo começa no Coração do Ser Humano:
“É examinando as coisas que o conhecimento de si próprio atinge a sua máxima expansão. Uma vez expandido o conhecimento, a intenção torna-se autêntica. Uma vez autêntica a intenção, o Coração está no caminho certo. Com o Coração no caminho certo, é que se aperfeiçoa a si mesmo. É aperfeiçoando a si mesmo que se harmoniza a própria família. É harmonizando a própria família que se ordena o próprio país. E é quando os países estão ordenados que a grande paz se realiza em todo o Universo.”
O pensamento acima diz que a harmonia está mais perto do que a gente imagina: está dentro de nós, não fora. Buscá-la é realizar as virtudes humanas (ren) em nós, é viver de forma plena a nossa natureza humana em harmonia com a natureza do Universo.
Mas, como diz Confúcio, é preciso examinar a fundo as questões apresentadas; o perigo de aceitar superficialmente o que é dito é de não expandir a consciência de si mesmo. Mesmo as palavras de Confúcio, se forem aceitas e replicadas de forma passiva e sem reflexão, podem tornar-se uma tradição rígida e levar à deterioração.