O Dao, eterno, não tem nome.
Singelo e intangível não é subserviente a nada no mundo.
Se o soberano souber mantê-lo,
A miríade de coisas seguiria por si.
O Céu e a Terra se uniriam,
e fariam cair um doce orvalho.
O povo, sem que se dê ordens,
por si mesmo se ordenaria.
Quando surge a diversificação, surgem os nomes.
Com os nomes, criam-se existências.
Então deve-se saber parar.
Saber parar evita o perigo.
O Dao no mundo é como os rios e os oceanos
para onde fluem as correntes de água dos vales
O Dao, infinito e onipresente, é comum e natural. Mesmo sendo de uma simplicidade suprema, nada o controla ou o submete. Ele é a matriz da criação das coisas do universo. Intangível, tudo nasce e retorna ao seu seio e por isso não é possível nomeá-lo, já que dar um nome é tornar finito o que é eterno.
O soberano é aquele que tem o poder de manter o Dao, promovendo a união do Céu com a Terra de forma que todos os seres sigam harmoniosamente por si mesmos. De acordo com os mestres do Dao, as pessoas soberanas não foram sempre as mesmas e se alternaram ao longo das Eras.
Na China, durante as três dinastias da antiguidade – Xia, Shang e Zhou – os Imperadores eram os soberanos que mantinham a harmonia na Terra através dos ritos, das músicas e das virtudes. Eram considerados os Filhos do Céu. Esta foi a Era Verde, associada aos tempos primevos.
Quando os Imperadores começaram a subverter a harmonia, corrompendo e se desviando do Dao, a soberania se transferiu para sábios e santos, mestres espirituais que acumularam muitos méritos. Eram Laozi, Confúcio, Buda, Jesus, entre muitos outros. Esta foi a Era Vermelha, associada ao espírito de desenvolvimento do verão.
Atualmente, herdamos o vasto legado destes mestres espirituais. Independente de raça, cor e aparência, todo aquele que tem um Coração singelo e puro é um soberano que mantém o Dao. O Coração, de acordo com a medicina tradicional chinesa, é o imperador que governa o Ser, a morada do espírito que irradia a luz. Estamos então na Era Branca, que marca o espírito outonal de colheita e distribuição.
No entanto, quando há uma profusão de coisas é necessário saber parar e separar o “joio do trigo” pois é grande o risco da fragmentação e dispersão.
Como está dito neste poema:
Quando surge a diversificação, surgem os nomes.
Com os nomes criam-se existências.
Então deve-se saber parar.
Saber parar evita o perigo.
Segue-se a esta Era de exuberância e colheita, a Era escura do recolhimento e do retorno. O perigo é o de não saber parar e retornar. O Ser deve retornar ao Não Ser, o que foi criado deve retornar à matriz que o criou. Assim como as águas dos vales retornam aos rios e oceanos.
O Dao no mundo é como os rios e os oceanos,
para onde fluem as correntes de água dos vales.