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Dao De Jing - Capítulo 22

No modesto está a plenitude.
No torto está o reto.
No esvaziar há o preencher.
O usado contém o novo.
O pouco concentra, e o muito desperdiça.

Por isso, o sábio abraça a unidade, e é modelo para o mundo.
Não se exibe por isso brilha.
Não se impõe por isso fica em evidência.
Não faz alarde por isso tem mérito.
Não se vangloria por isso governa.
Não disputa por isso nada abaixo do céu disputa com ele.

O dito antigo: no modesto está a plenitude.
São por acaso palavras vazias?
Na plenitude, retorna-se ao Dao (Caminho).

Abraçar a Dualidade

Dao é a unidade suprema, significa Caminho ou Via, o Caminho para cada ser é único, e cada ser é único também. Mas o Caminho só existe ao se caminhar por ela, sem andar o Caminho não existe. Porém o movimento gera dualidade, polos opostos, mas estes ao invés de se repelirem, se relacionam e se complementam. É como se, depois de terem sido separados, buscam reconstituir a unidade perdida.
A relação entre opostos é uma lei imutável que ocorre em todos os níveis na natureza. Este conhecimento está contidosímbolo do Taiji (polo extremo) que une a polaridade Yin/Yang em um círculo que representa a unidade. Podemos notar que o Yin tem uma marca do Yang, um vazio que deve ser preenchido pelo Yang; e o Yang por sua vez tem a marca deixada pelo Yin um espaço a ser preenchido pelo Yin.
Neste capítulo Laozi enfatiza que cada coisa, contem em si, o seu oposto, e que busca nele a unidade perdida.
Os seres buscam a unidade no seu oposto, pois ao alcançar a unidade, mesmo que breve, os conflitos esvanecem e tem-se uma profunda paz.
O segredo da paz nas relações é o de realizar a própria unidade interna. Como diz Laozi neste capítulo “O sábio abraça a unidade, e é modelo para o mundo”.