Ao olha-lo não se vê; é chamado de invisível.
Ao escuta-lo não se ouve, é chamado de inaudível.
Ao toca-lo não se sente, é chamado de intangível.
Esses três são insondáveis.
Pois se encontram fundidos em uma unidade indivisível.
Em cima não é luminoso.
Abaixo não é escuro.
Um ciclo contínuo que não se rompe e não pode ser nomeado.
Sempre retorna ao não Ser.
É dito de a forma sem forma
A imagem sem imagem.
Indistinto.
Indo em sua direção não se vê sua face.
Seguindo-o não se vê suas costas.
Seguir com o Dao ancestral é estar no tempo presente.
Conhecer a origem primeva é seguir os preceitos do Dao.
Nos tratados da medicina tradicional chinesa utiliza-se do termo pré-natal (xiantian) para designar o estado anterior ao nascimento e à forma, onde a existência permanece ainda pura e intocada, como a água transparente de uma fonte. Neste estado as três potencialidades do ser humano, chamados de os três tesouros (sanbao): a essência (jing), o sopro (qi) e o espírito (shen) estão fundidos em uma unidade onde não é possível distingui-los separadamente. Nele como diz Laozi: “Em cima não é luminoso abaixo não é escuro”.
Ao nascer para o mundo o bebê ainda mantêm o frescor dessa unidade que jaz invisível na profundidade do ser, não há julgamentos, em sua inocência, do bem e do mal. Um processo constante de mutação e fusão alquímica relacionam os três tesouros: a essência é purificada e se transforma em sopro, o sopro é harmonizado e se transforma em espírito, o espírito em plenitude retorna à vacuidade e ordena a essência. Assim os três tesouros continuam se relacionando e governando a existência em direção ao retorno da origem primeva.