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Dao De Jing - Capitulo 27

A marcha da benevolência não deixa rastro.
A fala da benevolência não deixa margem para críticas.
A conta da benevolência não necessita de cálculos.
O fecho da benevolência não precisa de ferrolho e não se consegue abrir.
A benevolência ata sem precisar de cordas e não se consegue desatar.

Por isso, o sábio é constante em sua benevolência,
salva as pessoas e não desiste de ninguém.
Sempre benevolente resgata as coisas
e não descarta nada.
A isso se diz herdar a luz.

Por isso, aquele que é benevolente é mestre daquele que não é.
E aquele que não é benevolente é desígnio para aquele que é.
Não valorizar seu mestre ou não amar o seu desígnio,
mesmo com muito conhecimento,
é estar em grande desorientação.
A isso tudo se chama a essência do mistério.

Ser Benevolente

A natureza é o grande mestre para os chineses, deve-se contemplá-la e aprender com ela.

A benevolência da natureza opera no invisível, a sua marcha não tem rota definida ou rastros a se seguir, simplesmente ela percorre a rota indefinida sem deixar rastro.

Nas estações da primavera e verão, a sua produção não precisa ser contabilizada. No outono e inverno a sua amarração e fechamento não tem como querer abrir ou desatar.

Nas artes corporais chinesas os sábios e mestres são constantes em sua benevolência. Eles são os representantes do conhecimento milenar e tem ligação com o fio de ouro do conhecimento tradicional. Na presença de um discípulo com a mente aberta para receber o novo, o mestre se torna um canal que sintoniza a sutil faixa de conhecimentos milenares e o conhecimento flui por esse elo estabelecido com o discípulo.

Quando se pratica com o coração benevolente, tudo é cuidado e visto sem  abandonar e nem esquecer nenhuma parte. Um dos princípios das artes corporais diz: “Quando uma parte do corpo se move, todo corpo se move. Quando uma parte está parada todo corpo está parado”. As partes do corpo que estão bem ensinam e ajudam as partes que não estão bem, sendo que estes são desígnios dos primeiros. “Não valorizar seu mestre ou não amar o seu desígnio” mostra uma grande desorientação do Coração, como diz o Daodejing.

Em todas as artes corporais chinesas deve-se valorizar as possibilidades do praticante ao invés das impossibilidades, as potencialidades saudáveis ao invés das fraquezas e debilidades. Ao se valorizá-las permite-se que elas, as possibilidades e as potencialidades saudáveis, em sua atitude benevolente inata, ensinem e sirvam de modelo para as partes que estão necessitadas e fracas.

O amor é a força para ensinar e transmitir, e o respeito e o reconhecimento são os sentimentos para ser o receptor. Quando estamos centrados, percebemos que o aprender e ensinar (transmitir e receber) é um só, é simultâneo, pois quando ensinamos, aprendemos, e quando aprendemos também estamos ensinando.

Isto é maravilhoso!