Atingir o supremo Vazio, mantendo a serenidade.
Os dez mil seres se manifestam simultaneamente e eu contemplo o seu retorno.
A miríade de coisas, após florescer, retorna a sua raiz.
Retornar à raiz chama se quietude, quietude significa retornar à essência da vida
Retornar à essência da vida se chama continuidade
Ter consciência da continuidade se chama iluminação
Não ter consciência da continuidade leva à violência
Conhecer a continuidade é ser magnânimo
Ser magnânimo é ser a totalidade
O todo pertence ao Céu
O Céu pertence ao Dao
O Dao é eterno
Mesmo sem o corpo, não perece
O Yang é o florescimento e o Yin o retorno. No florescimento é o retorno que dá existência aos ciclos.
Em um ciclo não há um fim, e sim um retorno e um novo começo; por isso os ciclos contêm a ideia de continuidade. Aquilo que evolui linearmente não tem continuidade.
Os ciclos não se rompem, mas se transformam e se renovam continuamente. Um movimento linear, pelo contrário, tem que se romper para admitir o novo, e todo rompimento é violento. Romper com um sonho, com a trajetória de um caminho, com a própria origem etc. traz em seu bojo o gérmen de um desequilíbrio, uma violência contra si mesmo.
Nas artes corporais chinesas cultivamos a força interna, que é uma força que evolui em espiral e é movida pela intenção pura do Coração. A força muscular, pelo contrário é linear, depende só do músculo e não tem continuidade; termina depois de emitida.
A força interna transforma e vence sem violência. A força muscular vence pela violência.
Na nossa vida a iluminação é reconhecer situações que sempre retornam, e à cada vez que ocorre podemos aprender a lidar melhor com ele e dessa forma evoluir:
“A espiral que viajamos na vida é o meio que temos para comparar nós mesmos conosco mesmo, e descobrir o quanto mudamos desde que estivemos da última vez na cidade, desde que encontramos o nosso irmão, ou desde que celebramos o último Natal. O tempo é cíclico, e pela espiral de suas estações que retornam, nós fazemos uma inspeção do progresso e crescimento de nossa compreensão das coisas”
(Purce,Jill; The mystic Spiral, journey of the Soul. Editora Thames and Hudson, Londres, ano de 1974. Pag.7)
A continuidade dura no tempo, é longa como um fio de ouro que não se rompe. Ela nos eleva, e com isso podemos ter um olhar abrangente, nos dá o gosto da eternidade, e nos permite ser a totalidade.
A consciência de que algo em mim tem continuidade, me permite vencer o medo da morte, pois como diz Laozi no final do verso: Mesmo sem o corpo, não perece