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Quem Sou

Do Oriente para o Ocidente

 Nasci em 1949, quando minha família deixava a China fugindo dos conflitos. Sem esperanças de retornar, meu pai decidiu buscar uma nova pátria no outro lado do mundo. Ele dizia, esperançoso:

“O Brasil fica na extremidade oposta. Se cavarmos um túnel que atravesse a Terra, sairemos lá. O povo é gentil e amoroso, o clima é ameno; nos seus vastos rios os peixes nadam alegremente e os pássaros voam livremente no imenso espaço celeste.”

Assim, no nome Man Han que me deu, ele expressou o desejo de que a jornada fosse harmoniosa. Viajamos no navio Ruy’s por três meses e chegamos a São Paulo, onde cresci vivendo dois mundos: a cultura chinesa dentro de casa e a ocidental fora dela.

A Física, a Tecnologia e o Invisível

Minha base ocidental vem da ciência. Em 1968, ingressei na Física na USP, onde aprendi sobre o mundo infinitamente pequeno e o invisível. Isso me deu a base para entender o mundo “invisível” do pensamento oriental.

Depois, atuei na informática com modelos de vanguarda como a Teoria Geral de Sistemas e Cibernética. Sob este enfoque, afirmo que as artes corporais da MTC são uma “alta tecnologia” no sentido de sua eficácia terapêutica.

As Artes Corporais e a Academia

Minha transição começou nos anos 70, atuando como tradutora voluntária de mestres chineses que chegavam ao Brasil — foi a escola que formou minha base. Em 1980, decidi me dedicar integralmente a isso.

Em 1987, fui convidada para lecionar no Instituto de Artes da UNICAMP. Lá, desenvolvi uma pedagogia própria para transmitir as artes corporais e seus aspectos terapêuticos, permanecendo até minha aposentadoria em 2009.

A Missão: A Integração Oriente/Ocidente

A Missão: Integração Oriente/Ocidente Texto: Denominei este site com meu nome chinês, Man Han (plenitude e harmonia). É um espaço para partilhar vivências e materiais baseados na filosofia da medicina tradicional chinesa.

Meu propósito é construir uma ponte entre Oriente e Ocidente. Acredito na arte corporal como um caminho para o autoconhecimento e o desenvolvimento da nossa capacidade de observar, raciocinar e refletir.

Como Tudo se Conecta

Meu trabalho se apoia em três pilares que se complementam: a filosofia do Daodejing, as artes corporais chinesas e a minha pedagogia autoral, o ‘Corpo Esquecido’. As artes corporais são o vocabulário do nosso movimento. O Daodejing inspira a atitude com que praticamos: a busca pela simplicidade e pelo fluxo natural. A ponte que une esses dois mundos é o ‘Corpo Esquecido’, meu método para resgatar a sensibilidade e o ritmo que perdemos. Através dele, a prática deixa de ser um exercício mecânico e se torna um caminho para o autoconhecimento, onde o objetivo não é a perfeição, mas a presença.